Sim, uma grande notícia! O Hellacopters está de volta, fazendo shows pela Europa e afirmando a possibilidade de um novo álbum.
Praticamente com a formação original - apenas o baixista é "novato" - a banda está super afiada e ainda com a mesma energia que nos contagiou no passado.
Vi o show recente dos caras no Rockpalast, simplesmente avassalador. Uma hora e meia do mais puro Rock and Roll. Quem dera ver esse show ao vivo!! Também li uma entrevista com o batera Robert Eriksson na qual ele afirma a possibilidade de um novo álbum. Que venha!!
O nome da fera é Rival Sons, vem da California, e nesses últimos 10 anos foi e é uma das principais bandas americanas quando se trata de Hard Blues Rock. Começaram arranhando, sem muito impacto. Mas em 2012, com o album "Preasure and Time", mostraram as garras com uma sonoridade que lembrava muito o Led Zeppelin, com os quais foram inevitavelmente associados, e como sempre digo em relação ao Greta Van Fleet, isso não é defeito, pelo contrario, deve ser uma honra.
Contudo, os caras estavam obstinados e provaram seus talentos, individuais e como banda, e soltaram na sequencia mais dois grandes discos, destaque para "Great Western Valkyrie" de 2014. A evolução da banda estava clara, esse disco começava a mostrar que eles procuravam a própria veia.
Com discos no topo das listas mais conceituadas do mundo, com shows por todos os cantos, vem a consagração e os convites para acompanharem os gigantes, Deep Purple e Black Sabbath, em suas turnês. Se alguém ainda não os conhecia, passaria assim a ser mais um fã.
Logo no comecinho deste ano a fera voltou a atacar. Maior, mais forte, mais pesada. Assim é esse petardo. Um album de uma grande banda que evoluiu nos seus dez anos de existência sem perder sua identidade, sem desgarrar das suas origens, Blues Rock e Hard Rock, mas foi além.
Agora numa grande gravadora, a Atlantic, embora com o mesmo produtor - o cara tem a mão - Feral Roots é o trabalho mais completo e elaborado até então. Não sei se até por estarem na Atlantic, mas aqui e alí tem um pouco de Soul, Folk e Country. Jay Buchanan está afiadíssimo, o cara abre a boca e ouvimos seus sentimentos. Na letra de "End of Forever" ele revela: "Eu gostaria de dizer que sinto muito, desculpe que nos conhecemos, nós dois estamos prontos para reduzir o melhor e a pior coisa que já tivemos...".
Tenho curtido bastante esse disco, o vinil duplo com uma primorosa capa dupla aumenta ainda mais o prazer. Depois do impacto de "Presure and Time", este está sendo uma grande revelação. É a Rival Sons, uma das melhores bandas de Blues Rock da atualidade, uma banda verdadeira, firme às suas raízes ("feral roots calling me back home"/raízes selvagens estão me chamando de volta para casa) encerrando uma década gloriosa e criando energia para iniciar um novo ciclo.
Lá se vão quatro anos desde que essa banda apareceu e colocou - pelo menos aqui - seu debut entre os melhores discos de 2015.
Numa linha Pych Blues Rock, o novo album, terceiro do grupo, coloca mais uma vez a banda entre as minhas preferidas do estilo.
Blessed is the Boogie é um disco de Rock and Roll vintage, tão bom quanto os clássicos albuns do Status Quo e Savoy Brown, claras influencias desses australianos que mais uma vez refrescam a cena com uma música repleta de guitarras afiadíssimas e melodias marcantes.
A Pristine já não é mais uma grata surpresa, está solidificada como mais uma grande banda da região da Escandinávia. Essa região vem nos mostrando algumas das melhores bandas da década, sobretudo no quesito Metal, no qual a Noruega é destaque absoluto. Mas a Pristine, embora Norueguesa, não se enquadra nesse estilo. Sim, tem bastante peso, mas é Hard Rock com fortes influências do Blues e até pitadas de Folk.
Com quase dez anos de estrada e cinco albuns, a banda alcançou seu ápice neste lançamento. O disco está coeso e equilibrado, com rocks certeiros e blues inspirados. "Road Back to Ruin" abre com uma pedrada chamada Sinnerman, Rock and Roll visceral para levantar defunto. Segue com a faixa título, pesadona, mais lenta, quase um Stoner. Depois de algumas pauleiras, entra Aurora Skies, pura lisergia, uma faixa belíssima. Em Blind Spot também estão os elementos do Folk, porém com quebras de rítmo como fazia o Led Zeppelin. Mesmo com tantas faixas de alto nível, ainda se destaca Cause and Effect, na qual a banda mostra todo seu potencial tocando um blues dos mais bonitos da atualidade. E para fechar o disco, Your Song, uma música linda, tão suave, quase angelical. Com este album a Pristine sobe uma escala, que fique por lá.
"Fantastic Negrito" não chega a ser fantástico, mas é bom, viu? Pois é, pelo menos não é mais do mesmo, tem caráter, tem estilo, e mesmo na impossibilidade de ser algo totalmente novo, tem bastante personalidade, e isso fica muito evidente quando visto ao vivo.
Sempre que vai chegando o final do ano, começo a refletir sobre o que mais me tocou e me agradou no período. Gosto de checar o que alguns sites e blogs também acharam e estão publicando nesse sentido. Foi assim que em dezembro último, durantes essas pesquisas, vi o disco do "Fantastic Negrito" aparecendo com frequência. Como era desconhecido pra mim, fui ouví-lo nas plataformas de Streaming. O disco, como um todo, não me chamou tanto a atenção, embora de logo tenha destacado umas duas músicas.
Nunca fui muito fã de bandas que misturam tantos estilos e ele o faz, é Rock, Soul, Blues, Reggae, Jazz, e quanto mais você ouve, mais vai sentir nuances disso ou daquilo, enfim, aquela salada.
Bom, nem cheguei a salvar o álbum. Apenas ouvi mais algumas vezes, gostei mesmo de duas ou três músicas e deixei passar o restante. Mas sabe como são os "cookies", ficam nos importunando, insistindo com tudo aquilo que em algum momento mostramos interesse, e com o "Negrito" não foi diferente. Até que hoje o Youtube me sugeriu um show do cara no L.E.A.F. Festival em 2017 e deixei rolar.
Num pequeno palco, com uma dúzia de pessoas assistindo, o "negão" começou devagar, mas parece que com o calor o caldeirão esquentou, as pessoas foram chegando e o espetáculo musical contagiou a todos, inclusive a mim. A banda é coesa, vibrante, e tem aquele teclado vintage que me amarro. O "negão" canta muito e é performático, chama a atenção.
Lá pela metade os caras mandam muito bem numa versão blueseira, muito próxima da original, de "In The Pines(Where Did You Sleep Last Night), que ficou famosa com o Nirvana, mas é da lenda LeadBelly. Logo depois, uma sequência com "Plastic Hamburgers", do disco novo, e "The Duffler", invocando os gigantes do Soul, foi muito foda! Pronto, fechou a tampa.
Um ano adormecido, inativo, esquecido, mas ainda vivo para revelar segredos, paixões alimentadas pela alma oculta nos sulcos dos discos de vinil e lasers nos cds.
Como sempre faço nesse época do ano, vou revelar, em ordem alfabética - porque não consigo ordenar por preferência - os discos que mais curti dentre os inúmeros lançamentos que ouvi nesse período.
Naturalmente, é impossível tomar conhecimento e ouvir a grande maioria de todos os álbuns lançados no intervalo de um ano. Assim, não tenho a menor pretensão de eleger "os melhores", mas sim listar os que mais me agradaram dentre os que tive o prazer de conhecer.
Bandas maravilhosas, discos incríveis, inspirados, novidades que todos os anos, além dos clássicos e eternos, estiveram nas minhas playlists e marcaram, de alguma forma, esse ano de 2018.
All Them Witches - ATW
Mais um do All Them Witches. Banda de Nashville, Tennessee, que contrariou a regra. Não bebe do Country daquela região, embora esteja contaminada pelo Blues, mas não o tradicional. O Blues aqui é outro, é psicodélico, soturno, moderno. Os discos da ATW costumam aparecer nas minhas listinhas quase todos os anos desde que a conheci. A sonoridade da banda muito me agrada, tem aquele climão mistico, muita psicodelia e peso na medida. ATW, o disco, é fodástico!
BlackBerry Smoke - The Southern Ground Sessions
Esses caras são velhos conhecidos, embora nunca tenham aparecido aqui, não porque não os curta bastante, mas acho os discos um tanto inconsistentes. A Blackberry Smoke lançou este ano o bom "Find a Light", além desse Ep, que não é um disco de estúdio, mas um acústico com cinco músicas do álbum anterior e mais uma cover do Tom Petty, que ficou muito massa! Uma delícia de disco que toco inteiro duas ou três vezes sem tirar de dentro...
First Aid Kit - Ruins
Foi após ver a capa desse disco em diversas publicações que fui ouvir o novo album das irmãs suecas do First Aid Kit. Opa! Coisa linda, elas e ele, o disco, Ruins. Som limpo, vocais suaves, melodias leves. Chamam de Indie, chamo de Folk. Gostei bastante.
Fu Manchu - Clone of the Universe
Puta banda essa!! A Fu Manchu é veterana, tem quase 30 anos e ainda muito combustível. A prova disso está aqui, seu novo disco é matador! A banda sempre foi fiel à sua sonoridade, não tem fase boa ou ruim, é a mesma Fu Manchu de sempre, por isso já sabe que nesse disco a pancadaria é a mesma, com uma única novidade, a última música com dezoito minutos, algo inusitado para eles, porém digo que é apenas reflexo da evolução musical da banda explorando toda sua capacidade.
GospelBeacH - Another Winter Alive
Ouvi pela primeira vez a GospelbeacH - é assim mesmo a grafia - logo no início do ano, pelo disco anterior, e gostei daquele sonzinho, levinho, praiano, meio Folk-Rock, meio Pop. Não era um grande disco, assim como esse também não é, embora seja grudento, agradável, gostosinho, e talvez por isso tenha tocado varias vezes nas minhas playlists nos últimos meses e ele esteja aqui entre os mais curtidos.
Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army
Agora sim, eles vieram com tudo, com um belíssimo Full Length recheado do mais puro veneno Rock 'n Roll, capaz de fazer com que todos que os experimentem afirmem que estão ouvindo Led Zeppelin, mesmo sabendo que o Zeppelin - a banda - implodiu em 1979. Isso não é ruim, não é defeito, não é pouco, pelo contrário, é uma honra. Incrível uma banda de garotos tão jovens ser tão poderosa. Eu quero é mais Greta Van Fleet!!
King Buffalo - Longing To Be The Mountain
Que boa surpresa esse disco! Quando ouvi pela primeira vez a King Buffalo num tributo a Hendrix lançado em 2015, a sonzeira psicodélica da banda chamou minha atenção. Uma banda coesa, boas guitarras, um baixão contagiante e um ótimo vocal. Os caras tocam muito, fazem músicas com nove, dez minutos que remetem ao progressivo. Excelente banda e disco!!
Kurt Vile - Bottle It In
Obrigado YouTube! Sim, foi por sugestão dele, ano passado, que conheci Kurt Vile. Desde então passei a ouvir todos os discos dele e da sua banda anterior(The War on Drugs), a qual também fiquei fã. Este ano ele lançou Bottle It In, seu já oitavo album em dez anos de carreira solo e muito bom, relaxado, divertido, um album para qualquer hora.
Mason Jennings - Songs From When We Met
Embora eu já curta Mason Jennings há muito tempo, dez anos no mínimo, é a primeira vez que ele entra nessa "seleta" lista. Segundo ele mesmo, este é um album pessoal, íntimo. Para mim, nenhuma novidade, pois mesmo que esteja enganado, todos os discos dele me pareceram assim. Sentimental é como posso definir a música desse cantor, compositor, poeta, político e eclético músico apaixonado. Belíssimo disco!
Naxatras - Naxatras III
Uma banda fora do "eixo", um trio. Assim como a ótima 1000mods, a Naxatras vem da Grecia. Nesse terceiro album com apenas sete músicas em mais de uma hora, a banda mandou outro discaço flertando Hard Rock e Psicodelia utilizando a mesma fórmula dos anteriores, o bastante e suficiente para fundir sua cabeça. Esse disco é, nas palavras da própria banda, 'Uma viagem para uma terra desconhecida. Um mecanismo antigo. Uma profecia.''
The Sheepdogs - Changing Colours
Nosso bom e velho Classic Rock está super bem representado por esses canadenses da Sheepdogs. Disco após disco eles nos trazem um blend de Southern Rock 'n Roll Boogie and Psych dos melhores que existem, se é que dá pra entender isso. Quando escutei o antecessor "Future Nostalgia" há uns dois anos gostei de cara da banda. Agora esse "Changing Colours" mantém o nível. Duplo, trás clássicos como "Nobody", "I've Got A Hole Where My Heart Should", a linda balada "I'm Just Waiting for My Time", entre outras tantas pedradas. Discaço!
The Smashing Pumpkins - Shiny and Oh So Bright, Vol. 1
Pelo menos 3/4 da banda original estão de volta nesse album e isso fez a diferença. A excelente Smashing Pumpkins dos anos 90 perdeu força na década seguinte sem seus membros originais. Mas Billy Corgan cedeu, antes tarde do que nunca, e nos brindou com outro petardo. Shiny... é muito bom, vai aparecer em muitas listas por aí. Fico feliz em ter de volta uma das minhas bandas preferidas.
Wooden Shjips - V
Do underground de São Francisco vem a Wooden Ships, mesclando Psicodelia com Rock and Roll. Os caras já estão no quinto disco, mas foi por esse que conheci a banda. Foi logo no início do ano e no mesmo dia encomendei o vinil, foi amor a primeira orelhada. São muitos elementos no som da banda, algo que excita e relaxa. Me fez lembrar muito a "Black Mountain", o que já seria o bastante para admirá-los, mas segundo eles mesmos, as principais influências vêm de Velvet Underground e Neil Young, duas bandas que adoro, então tá explicado, discaço!!!
A Delta Moon é uma banda americana de Blues Rock com origem em Atlanta, formada por velhos amigos. Já com 15 anos de estrada e vários discos na carreira, acabaram de lançar esse "Cabbagetown", um bom disco recheado de slides, mas que não traz nada de novo, não causa impacto, apenas mantém o ritmo dos demais, a mesma pegada bluesy, legal para ouvir sem qualquer pretensão, pois não deixa de ser bem agradável, suave e com boas melodias.
O All Them Witches é uma banda relativamente nova, mas já esteve aqui no blog em 2015 quando justamente coloquei o disco deles entre os melhores daquele ano. É uma banda americana que curto bastante. Som pesado, psicodélico, uma viagem sonora com fortes referências dos anos setenta.
Esse disco novo, "Sleeping Through The War", segue a mesma linha dos três anteriores, com músicas longas, entre seis e dez minutos, mantém aquela pegada bluesy hipnótica, flertando com Queens of the Stone Age e Hawkwind.
Comprei o vinil importado do disco de 2015 e este já está na mira, pois desde quando consegui baixá-lo em arquivo digital que não sai das minhas playlists.
Esses dias o youtube me indicou um clipe de uma banda chamada Ana_Thema que nunca ouvira falar, nunca escutara, e, curioso, fui checar. Gostei de cara, mesmo não sendo o tipo de música que costumo escutar, nem sei ao certo classificar. É Doom, Metal, Progressivo, uma mistura viajante e frenética, uma banda super coesa, afinadíssima. Surpreso fiquei ao saber que têm quase 20 anos de estrada e esse "The Optimist" é o 11º disco da carreira, lançado em 2017.
É uma pena que discos como esse não são lançados por aqui, e quem quiser tê-lo terá que desembolsar quase trezentos reais no vinil duplo em alguma loja na Europa ou America. Como eles farão dois shows no Brasil em agosto, quem sabe teremos alguma novidade em breve, mas por enquanto temos que nos contentar com os clipes na internet.
Uau!! O tempo voa...Quase nem percebemos o qual rápido viajamos nessa máquina até quando chegamos à certo ponto e tomamos aquele susto. Assim foi desde a minha última postagem aqui no blog há quatro meses, bastante tempo para um "diário", mas o que dizer então de um tempo um tanto maior, estou falando de um tempo mais longo que a minha própria existência, meia década.
Quando chegamos a essa idade não temos pressa, é como se quiséssemos desacelerar essa "máquina" implacável do tempo. Mas, por outro lado, tenho sentido uma certa vontade de chegar aos 50, afinal, é uma idade marcante, bastante simbólica, histórica, pois não é para qualquer um completar esse grande ciclo.
Bom, mas não estou aqui para falar de mim, não especificamente, mas de alguns discos que chegaram, ou estão chegando, ao seus aniversários de 50 anos de lançamento. Alguns poucos, os meus preferidos, aqueles que de alguma forma, em algum momento, entraram na "trilha sonora" da minha vida.
Não foi à toa essa ideia, não por acaso, mas especificamente por duas razões. A primeira foi algo que me incomodou há alguns dias e me fez pensar a respeito; a outra começou no final do ano passado, mas que por algumas razões, foi protelada.
Há poucos dias muito se falou sobre o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e desde janeiro que também se comenta bastante sobre o primeiro disco do The Doors, ambos aniversariantes.
O disco dos Beatles é considerado por muitos o melhor daquele ano, e vai além, pois há quem o considere um marco na história do rock, chegam a dizer que "mudou o mundo". Nossa!! Isso é algo tão grandioso se levarmos em consideração os fatos que geraram tal transformação.
Eu não estava lá naquele ano, nem senti as mudanças nos anos seguintes, então fica difícil perceber essa "força". Porém, sei que os Beatles "mudaram o mundo", causaram uma revolução na música e na juventude, isso é fato, mas foi esse disco o responsável? Isso me intriga, sobretudo porque também gosto da banda, conheço a maioria dos seus discos, e não o coloco entre os melhores do grupo, e tenho certeza que se pedirmos a qualquer fã da banda para citar suas músicas preferidas, apenas duas ou três serão desse album. A arte da capa sim, essa é espetacular, talvez a melhor e mais marcante de toda a carreira do Beatles.
Vamos então voltar a 1967, analisar apenas aquele ano. Foram doze meses de uma explosão criativa que atingiu vários cantos do mundo, uma avalanche musical. Naquela época o mundo era "maior", as distancias enormes, e os impactos desses lançamentos demoravam um pouco a atingir todos os cantos do mundo.
Os Beatles e os Stones já faziam sucesso, eram de grandes gravadoras e tinham distribuição mundial, então era muito mais fácil serem vistos, e os holofotes da mídia estavam mirados naqueles que o mundo adotou, não mostravam o nascimento de tantos outros artistas e álbuns que foram e seriam tão relevantes quanto aquele, a exemplo do surgimento, na América, dos Doors, com seu estupendo primeiro álbum, e ainda, senão tão impactante, mas tão importante, o "The Piper at the Gates of Dawn", do Pink Floyd, que por extrema coincidência foi gravado durante o mesmo período e no mesmo estúdio que o "Sgt Peppers...". Dizem, inclusive, que os músicos "espionavam-se" nas salas vizinhas.
E a chegada de Jimi Hendrix? Ah! Isso sim mudou o mundo!
Era tanta fertilidade que Jimi lançou logo dois petardos, "Are you experienced?" e "Axis: Bold as Love". Dois discos inovadores de um músico excepcional que viria a ser considerado o maior de todos, quase por unanimidade.
Disputando o frenesi com os Beatles, quase num mesmo patamar de gloria, vinham os Rolling Stones. Os Stones foram ainda mais ousados ao lançar três discos naquele ano, um deles, a meu ver, excelente: Flowers".
Poderia ainda lembrar de vários outros que são pouco conhecidos, embora sejam também excelentes, pena não terem sido divulgados para atingirem o lugar merecido. O Buffalo Springfield lançou "Again", um belo disco; o Cream explodiu com "Disraeli Gears"; o "Surrealistic Pillow", do Jefferson Airplane; "Forever Changes", do Love; e os primeiros discos do Ten Years After e do Velvet Underground, esse último, também estupendo.
Se eu tivesse que escolher um período, ou uma década, como o mais criativo, inovador e melhor da música, seria justamente entre 1967 e 1977. Alguns até consideram o ano de 67 como o mais importante, não sei, mas foi, sem dúvida, muito fértil e inesquecível. Lembrá-lo e comemorá-lo é uma delícia, é voltar no tempo sem sentir o quão distante ele está. Viajar por 50 anos de música da mais alta qualidade é um prazer imenso.
Sinto por aqueles que só conseguem enxergar e ouvir o saudoso "Sgt. Peppers...", pois há muito mais, muito mais cores e sabores a serem explorados, salgados e doces a serem degustados nessa grande festa. Feliz aniversário!!
04 de fevereiro de 2017 foi o dia oficial do fim do Black Sabbath, a maior banda de metal de todos os tempos, a maior referência, a criadora do estilo. Foram quase 50 anos de carreira, várias formações, muitos albuns, alguns clássicos absolutos, outros sempre lembrados, alguns fracos. A história dessa banda já foi escrita em vários livros, é uma epopeia musical.
Comecei a ouvir o Black Sabbath ainda na adolescência, mas naquela época a principal formação da banda já havia acabado, no entanto, era como se uma nova banda tivesse surgido e estava tão boa ou melhor que a anterior, há inúmeras discussões e divergências quanto a isso. Para mim, ambas são fantásticas.
Tony Iommi criou a banda em meados de 1968. Chamou seu amigo Bill Ward para formarem uma banda de blues. Anunciaram que precisavam de um vocalista, e foi daí que o garoto delinquente Ozzy Osbourne apareceu. De logo, Iommi não gostou dele, mas o cara tinha um amplificador, e isso fez toda diferença e lhe garantiu a vaga. Ozzy convidou um amigo, Geezer Butler. Indicou-o e estava assim formado o Black Sabbath.
Com essa formação saíram dos subúrbios de Birmingham, do anonimato para o estrelato em muito pouco tempo, bastou apenas o lançamento do álbum homônimo em 1970, o qual conquistou a Inglaterra e os levou de imediato a gravarem o sucessor, "Paranoid", fazendo-os conquistar o mundo.
Foram gravados oito álbuns até 1978, quando a coisa desandou de vez, drogas e egos inflados puseram o primeiro fim à banda. Ozzy debandou e formou sua banda. Iommy não estava satisfeito, queria seguir em frente, e depois de muito escolher, trouxe a melhor voz do rock, Ronnie James Dio, dando assim início a curtíssima, porém estrondosa fase de onde saíram apenas dois álbuns de estúdio e um ao vivo, suficientes para chocarem, mais uma vez, o mundo do metal.
Foi nessa época, início dos anos 80 que escutei o Sabbath pela primeira vez. Foi com o disco "Heaven and Hell", e logo depois "Mob Rules", ambos estupendos. Aquilo me chocou, nada soava como eles, fiquei louco. Nunca vou esquecer o dia que meu pai trouxe de uma viagem que fez ao Rio de Janeiro o album duplo "Live Evil". Tranquei-me no quarto e chorei, passei dias admirando aquela capa, ouvindo sem parar aquele disco maravilhoso, transportava-me para aquele show com meus fones de ouvido no máximo volume...
Nessa época conheci um cara, Emmanuel Vasconcelos, "...um garoto que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones", apaixonado por música que também estava descobrindo o Sabbath. Ficávamos horas escutando aqueles discos e descobrindo os mais antigos, tanto na minha casa, como na maioria das vezes, como preferíamos, no quintal da casa dele, debaixo de uma mangueira, à noite, no escuro, a fim de "sentirmos" todo o poder e impacto daquela música. Ficávamos fascinados, viajávamos no tempo..
Em meados dos 80's a banda mudou novamente e seguiu com várias formações, todas instáveis que nunca mais aplacaram outro disco como aqueles de outrora. Foi nessa época que deixei de ouvir os lançamentos, mas mantive-me fiel aos dez primeiros albuns, até que em 1998, depois de inúmeras tentativas, a formação original voltou a gravar um álbum ao vivo chamado "Reunion", aquele que todos os fãs esperavam há anos. Mas foi só. Queríamos muito mais, mas foi em vão, eles não conseguiam mais ficar juntos.
Mais uma esperança veio em 2009 quando Dio e Appice voltaram com Iommy e Geezer para lançarem "The Devil you Know", um disco do Black Sabbath, embora sob o nome Heaven and Hell. Pesadíssimo, trouxe a energia e o poder do velho metal à tona. Daí veio uma tragédia para nós, fãs, Deus chamou Dio para seu lado, Ele merecia ter "a voz" por perto, já tínhamos tido a grande oportunidade de tê-lo conosco por algum tempo. Foi o outro fim, mais um.
Ainda não, ainda havia uma chama. Eis que surge outra oportunidade de juntarem-se os originais para um derradeiro disco. Foi uma loucura para os fãs, todavia, a tentativa foi frustrada por falta de um acordo com Bill. Uma pena! Os três remanescentes decidiram levar o projeto à frente, mesmo sem Bill. Então convidaram Brad Wilk, um monstro nas baquetas. Queríamos o Bill, mas devemos assentir que esse cara fez um belo trabalho. Nasceu "13", o album, um petardo. O Sabbath estava de volta. Saíram em turnê mundial, saciando a necessidade de milhões de fãs que tanto almejavam por vê-los em ação de novo.
Aqui preciso fazer uma ressalva: comprei o disco, lógico, é muito bom, mas não gostei do que vi nas apresentações ao vivo. Tony e Geezer eram os mesmos, mas Ozzy....fiquei triste em ouví-lo, estava muito aquém daquele que curti por toda minha vida, sua voz já era...Tínhamos o Sabbath, mas faltava algo, foi o que senti.
Ano passado eles vieram ao Brasil, era talvez a última oportunidade de vê-los ao vivo, mas não me animei, justamente porque sou nostálgico, tenho certeza que não me sentiria totalmente feliz em ouvir um "Ozzy" que não era o Ozzy, isso, de certa forma, me faria algum mal(vai entender?).
Bom, toda saga tem um fim, e essa chegou meio que inesperadamente no dia de ontem, 04 de fevereiro de 2017, justamente no lugar onde tudo começou, em Birmingham. O meu querido Black Sabbath anunciou que seria o último show deles.
Por tudo, por todo esse tempo, pelas alegrias e tristezas, pelas loucuras, viagens, alucinações, pelas amizades, discussões, paixões, por ter me envolvido tanto...sofri, senti muito. É um sentimento inexplicável. Resta-me apenas passar o resto da minha vida fazendo o mesmo, o que não me canso, o que me dá o mesmo prazer de sempre, ouvir meus discos dessa banda fenomenal, meu querido Black Sabbath.
Demorou um pouco, mas soltei. Aí está minha lista dos 10 albuns que mais curti em 2016, em ordem alfabética, para não ser injusto.
Ano passado foi um ano no qual estive quase sempre muito ocupado, trabalho, faculdade, e não tive o mesmo tempo que tinha para descobrir e escutar tantos lançamentos. Mesmo assim, acho que escutei o bastante. Como sempre, algumas bandas velhas conhecidas e outras nem tanto.
Vamos a eles: 01. Black Mountain - IV
Esta banda já teve todos os discos postados aqui no blog, não por acaso, porque é uma das melhores bandas deste século e já está indo para sua segunda década de estrada com apenas quatro discos. Do que adianta lançar discos todos os anos só para garantir contratos e faturar milhões sem primar pela qualidade? Esse disco está incrível, arrisco-me a dizer que seja talvez o melhor deles, embora eu seja muito fã dos três anteriores. A viagem e a psicodelia são as mesmas, guitarras e teclados vagam pelo espaço, a bateria nos deixa em constante movimento, o baixo acelera o ritmo e chega a ser nervoso, tenso. Mas preciso destacar os lindos vocais de Amber Webber, sempre suaves e penetrantes. Os elementos vão dos anos 60 aos 70, porém não se prendem a eles, são apenas absorvidos e modernizados, acrescidos do melhor que temos na atualidade. Mais um disco excelente!
02. Ben Harper - Call it What it is
Ben Harper é um artista fora de série, muito acima da média. Já com uma vasta carreira, excelentes albuns, superou-se mais uma vez com esse. Logo que escutei, nem gostei tanto, mas tive calma, pois talvez não fosse o momento adequado. Estava certo. Com o tempo fui gostando cada vez mais e está aqui, entre os 10 discos que mais ouvi ano passado.
03. Blues Pills - Lady in Gold
A Blues Pills é outra das minhas queridinhas, desde 2013 que curto muito essa banda sueca. O disco de 2014 foi um dos melhores daquele ano, senão o melhor. Seu sucessor, Lady in Gold também é excelente. Comprei minha cópia em vinil assim que foi lançado, antes mesmo de ouvir, pois tinha a certeza de que viria outro petardo, e veio.
04. Devon Allman - Ride or Die
Ouvir esse disco foi uma grata surpresa. Só quando li sobre esse lançamento que fui ouvir os outros dois discos que tenho do Devon e que ainda não tinha dado a devida atenção. Às vezes, malucos insaciáveis como eu que querem ouvir tudo que está sendo lançado deixam escapar, por pura impossibilidade de ouvir tudo, discos fantásticos. Mas com esse foi diferente. Acho que ouvi mais de dez vezes seguidas. Esse disco é simplesmente foda! Uma pena que ainda não foi lançado em vinil.
05. Doyle Bramhall II - Rich Man
Não conhecia o Doyle Bramhall II, apesar desse ser seu quarto disco. Foi do tipo "tiro e queda", "pegou na veia", expressões que bem definem o impacto como me atingiu. É essencialmente um disco de blues rock, bem atual. Algumas baladas, sons com mais pegada, um disco completo. Ainda não busquei os anteriores por falta de tempo, mas pelo que pesquisei, esse é considerado o melhor dele, muito bom, eu garanto.
06. Hannah Williams - Late Nights and Heartbreak
Não conhecia essa banda, ouvi uma versão para "Dazed and Confuzed" do Led no Youtube e pirei. A cantora é excepcional e a banda um estrondo, uma super banda. Um disco que mistura blues, soul e jazz. Não é coisa que costumo ouvir, jamais esteve entre meus preferidos, mas esse conseguiu me conquistar. Discaço!
07. Jack White - Acoustic Recordings
Sou fã do Jack White, mas seus discos solo nunca me impressionaram. Gosto muito dele tocando e cantando no White Stripes, gosto dele no Raconteurs e também no Dead Weather, bandas das quais também faz parte, mas esse album duplo é demais! São versões acústicas de todas as fases da sua carreira, e ficou foda!! Disco obrigatório, o vinil já está na minha coleção.
08. Mudcrutch - 2
Essa banda tem uma história singular. Formada em 1970 por Tom Petty e na Florida, passaram anos tocando nos circuitos de bares mas só conseguiram gravar alguns singles, o que fez com que Tom partisse para outro projeto, os Heartbreakers, fazendo com que a Mudcrutch ficasse esquecida até 2008, quando Tom, já um artista consagrado pela sua brilhante carreira solo decidiu reativá-la lançando o primeiro full lenght, mas parou novamente para só agora em 2016 soltar o segundo disco, voltando às suas origens, fazendo soar um Southern Rock que muito se assemelha aos seus trabalhos solo. Um disco muito agradável para quem curte o estilo.
09. Tedeschi Trucks Band - Let Me Get By
Este é o terceiro álbum de estúdio da fantástica super-banda do maravilhoso guitarrista Derek Trucks e sua esposa Susan Tedeschi. O disco é o resultado dos vários ensaios durante a turnê do ano passado nos quais todos os membros da banda foram encorajados a contribuir de alguma forma, com idéias, músicas, etc. O próprio Derek Trucks foi quem o produziu, Susan está mais solta que nos discos anteriores, parece mais confiante tanto para cantar, como tocando. O disco todo é mais orgânico, mais participativo, muitos elementos se fazem notar, tem blues, tem soul, jazz, southern rock, ou seja, é um disco onde todos se expressam e fazem com que os estilos e influências individuais se encontrem para formar uma obra bem versátil.
10. Wolfmother - Victorious
Wolfmother - Victorious
A Australia sempre lançou excelentes bandas, o rock corre solto nas veias daquelas terras, AC/DC, Midnight Oil, Rose Tattoo, Hoodoo Gurus, são apenas algumas que fazem a cabeça da galera que gosta de guitarras e sonzeira no pé do ouvido. Mas em 2000, dos subúrbios de Sydney, começou a se formar uma das mais brilhantes expoentes do Hard Rock atual, a Wolfmother. Seu estupendo e altamente reverenciado album de estréia será um marco para sempre. Desde então, os mais diversos problemas afetaram a banda que chegou a anunciar o fim, muito embora em 2013 Andrew Stockdale mostrou aos fans que estava de volta agora como um trio lançando o disco New Crow. Este ano eles soltaram os lobos mais uma vez com "Victorious", que embora seja impossível se nivelar com o primeiro disco deles, é o que mais se aproxima. Fiquei realmente surpreso com a qualidade deste album, mostra uma banda coesa e inspirada, com vontade e fome de resgatar as suas origens.
Hoje quero compartilhar um tesouro que está completando 50
anos. Não foi relançado, não está disponível no mercado, não é
um disco popular e nunca teve sucesso comercial, porém é fenomenal.
Conseguir
um exemplar original de época é tarefa árdua, é preciso muito
empenho, contatos no exterior com disposição e paciência para
mergulhar no mercado negro até encontrar alguém que possua uma
cópia em bom estado e esteja disposto a vender, e ainda tenha
certeza que precisará dispor de uma boa quantia em dólares para
adquirí-la.
Bom,
eu fiz tudo isso e consegui. O meu chegou recentemente, com 50 anos
de idade e novinho como se estivesse em um baú, lugar onde se guarda
e esconde jóias raras como essa. É algo quase inacreditável, uma
sensação indescritível, imaginar como pode um disco ficar tanto
tempo, meio século, e ainda estar em perfeitas condições, capa e
mídia, qualidades que só um bom disco de vinil é capaz de
perpetuar.
East-West
é o segundo disco da carreira de Paul Butterfield, um gaitista de
Chicago. Seu talento lhe proporcionou aproximar-se de grandes músicos
da época. Lembrando que era meados dos anos 60, quando o blues,
o soul e o jazz dominavam a cena musical ao tempo em
que passavam por uma tremenda transformação, eletrificando-se,
tanto na América, como na Europa.
Um
desses músicos foi Elvin Bishop. Eles se conheceram por acaso,
quando Paul praticava na sua varanda e Bishop, de passagem pela rua,
ouviu aquele som e aproximou-se, surgindo dali uma grande amizade e
parceria. Juntos foram aceitos no circuito de clubes onde só tocavam
os grandes standarts, Otis Rush, Muddy Waters e Howlin' Wolf, com
quem os dois passaram tocar regularmente, até quando decidiram
formar a própria banda.
Jerome
Arnold(baixo) já tocava com eles. Convidaram então Mark
Laftalin(órgão e piano) e Billy Davenport(bateria), mas sentiram a
necessidade de contratar outro guitarrista. Essa foi uma grande
sacada e o escolhido não poderia ser melhor, Mike Bloomfield.
Com
essa formação fantástica, em 1966, lançaram este petardo de blues
com nove faixas. Aqui não se ouve, como era de costume na época,
garotos brancos homenageando os mestres do blues, mas sim seis
jovens - quatro brancos e dois negros - com muito feeling
absorvido pela região onde nasceram e cresceram, fazendo sua própria
música, conquistando um espaço dominado pelos negros.
Esse
time conseguiu, sobretudo neste disco, atingir um nível de
excelência tão alto que chega a ser estupendo. Já escutei alguns
outros trabalhos deles, todos muito bons, mas esse é especial, o
nível aqui é excepcional. Você põe o disco na vitrola e logo se
espanta com a musicalidade, com o conjunto, o ritmo contagiante, o
groove jazzistico, o baixo elegante e vigoroso, os solos sensacionais
dos dois guitarristas que, mesmo em início de carreira, estão tão
à vontade e soltos como feras predadoras no seu habitat.
Desde
o dia que peguei este álbum que ele tomou conta da minha pick up
e não tenho escutado outra coisa, estou completamente envolvido com
ele, e não é pra menos, garanto. Sugiro para quem curte blues
com pitadas de jazz recheado de guitarras e gaitas que
procurem ouvir esse disco, todo ele, faixa a faixa, para sentir uma
música que, embora esteja completando 50 anos, é tão atual e
apaixonante, tão distante da mesmice da maioria que a industria se
esforça para massificar. É um álbum único e indispensável.
Com
essa fantástica formação, em 1966, lançaram este petardo de blues
com nove faixas. Aqui não se ouve, como era de costume na época,
garotos brancos homenageando os mestres do blues, mas sim seis
jovens - quatro brancos e dois negros - com muito feeling
absorvido pela região onde nasceram e cresceram, fazendo sua própria
música, conquistando um espaço dominado pelos negros.
"Walkin Blues" abre o disco com uma faixa carregada de peso, bem marcada e com solos de gaita e guitarra. "Get out of my life, womam" é muito sensual, cheia de feeling, enriquecida pelo piano e ritmo jazzistico. "I got a mind to give up living" é um dos pontos altos do disco, é um blues que retoma as raízes, vocais rasgados e profundos solos de guitarra. "All these blues" não vai deixar você parado, tem muito groove. "Two trains running" introduz a força do rock na essência da banda, muito da influência de Bloonfield. "Never say no" é puro lamento, uma carta de amor como o blues é por natureza. O disco encerra com a faixa título, outro ponto alto, longa, quase como uma jam, com treze minutos nos quais todos participam ativamente, é outra faixa jazzistica com muitos solos de guitarra e gaita onde os músicos literalmente se apresentam individualmente e como banda demonstrando muita afinidade, uma viagem sonora com vários climas que se interligam e chegam ao clímax desse maravilhoso álbum que deveria estar em qualquer coleção de quem é fã da extraordinária música dos anos '60.