Depois do título do Gabriel em 2014 e do Adriano em 2015, ambos muito comemorados por nós brasileiros, veio a merecidíssima vitória do John John Florence, um dos surfistas mais espetaculares e talentosos de todos os tempos. Um cara diferente, fora dos padrões, relaxado demais para um competidor, sempre meio alheio às exigências da WSL, características que ao mesmo tempo encantam, pois estão na essência do surfista de alma, mas também fizeram com que ele amargasse diversas derrotas ao longo dos últimos anos.
Todos sabiam, desde o início da sua carreira, há uns dez anos, que ele tinha um potencial extraordinário. Suas performances em ondas grandes sempre surpreenderam, e nos últimos anos sua competitividade foi se polindo e amoldando aos critérios para que ele chegasse ao título máximo.
Fico particularmente feliz por essa conquista, tanto porque é justa e merecida, como porque é bom ver um cara que acompanho desde moleque, que manteve a simplicidade e humildade, ver sua evolução por uma década, finalmente sagrar-se campeão mundial, ser reconhecido e coroado melhor do mundo.
Um Nobel de literatura a um músico? Acredito que essa indagação tenha sido feita por diversas pessoas pelo mundo, não à toa, pois embora Bob Dylan não seja "apenas" um músico, é assim que a grande maioria o reconhece.
Prêmios como este muitas vezes são vistos como tendenciosos, recebem críticas de todo tipo, desde o seu real objetivo, inclusive como já fora questionado por um dos seus ganhadores, o qual recusou-se a recebê-lo, passando pelos indicados e a quem os seleciona, chegando ao escolhido e final merecedor.
Afastando-se dessa problemática, acreditando na nobreza do título, penso que nenhum dos seus ganhadores tenha se preocupado quando da criação de suas obras com este objetivo. O verdadeiro artista, seja escritor, físico, músico, ou qualquer outro iluminado, desenvolveu sua obra pela sua natureza, sua necessidade e vontade, sem preocupar-se com reconhecimento, mas tão somente na sua ideologia e seu resultado.
Para aqueles que pouco sabiam sobre "os outros" Bob Dylan, deve ter sido realmente um choque. Para mim foi uma grata surpresa. Afinal, pelo pouco que sei sobre Prêmio Nobel de Literatura, apenas ilustres escritores, na sua grande maioria europeus, foram agraciados com essa honra, sem falar na "bolada" em dinheiro. É justamente essa a questão, por que a música de Bob Dylan seria merecedora de um Nobel de literatura? A resposta não está na música, mas nas suas letras. Dylan foi, e ainda é, um grande artista, músico, pintor, compositor, poeta.
Em seu primeiro disco, gravado em 1961 e lançado no ano seguinte, apenas duas músicas eram autorais, porém, durante esse período ele escrevia sem parar até lançar em 1963 o segundo álbum, "The Freewheelin' Bob Dylan", este com todas as músicas autorais, escritas em forma de protesto ao governo e à sociedade da época, embora ele mesmo negasse isso, mas assim eram reconhecidas e interpretadas por todos. Duas delas, inclusive, tornaram-se hinos e levantaram bandeiras por toda a década de sessenta e perduram até os dias atuais, "Blowin' in the Wind" e "A Hard Rains A-Gonna Fall", as quais são muitas vezes interpretadas de forma totalmente fora do contexto.
A forma como ele escrevia fugia do tradicional, era um fruto desconhecido de sabor amargo que subitamente conquistou toda a juventude, foi inovador e polêmico numa sociedade altamente conservadora e tradicional.
A música de Bob Dylan é apenas uma carapaça para suas letras. São suas letras, seus contos, sua poesia que o levaram ao reconhecimento mundial, inclusive por aqueles que mais entendem de literatura. Ler Bob Dylan é mergulhar na história americana contada pela ótica de quem viveu no underground, lutou pelos direitos civis e sociais. Sua obra sempre foi admirada e tardou, mas agora foi reconhecida e elevada a outro patamar, sobrepujando autores notadamente geniais.
Assim é o tempo, assim é a vida, às vezes esperamos anos por algo e inusitadamente aquilo acontece, como diz o próprio autor, "quantas estradas um homem deve percorrer até ser chamado de homem"?
Todo surfista, do mais velho ao mais jovem, do "Free Surfer" ao competidor, todos reconhecem a hegemonia do Kelly Slater, mas apenas uma pequena parte desses conhece o Andy Irons, uma pena!
Quem viveu os poucos anos da sua impressionante carreira e acompanhou suas performances nunca o esquecerá. Seus três títulos mundias foram emocionantes.
Ele foi o único à altura do Kelly quando o Kelly estava além das alturas. Era uma rivalidade quase mortal que ao mesmo tempo flertava com o mais alto respeito e admiração mutua.
Eram como combustível e motor um para o outro, e vice-versa.
Em breve teremos mais um documentário sobre o Andy, dessa vez parece que sob uma nova perspectiva, a que poucos conhecem, mais íntima, revelando os demônios que viviam dentro desse deus.
Muito bom e merecido esse título de campeã do mundo para a australiana Tyler Wright. Uma surfista guerreira que já vem há vários anos chegando perto do objetivo máximo, mas sempre parava frente às duas grandes campeãs mundiais, Stephanie Gilmore(6x) e Carissa Moore(3x).
Agora é chegada a sua vez. Com um surf extremamente forte e radical, ela vem fazendo um ano muito regular, onde já venceu quatro eventos. O título veio antecipado com esse segundo lugar na França, antes mesmo da última etapa no Hawaii.
A corrida pelo título masculino continua firme, John Florence e Gabriel Medina estão cada vez mais próximos ao título. Nessa etapa, JJF terminou em terceiro e Gabriel perdeu na final para o mar e para a maior zebra de toda a história do circuito mundial, Keanu Asing, o havaiano que já estava praticamente fora da elite, mas que nesse campeonato veio derrubando um a um até conquistar a primeira vitória em toda sua carreira, merecidamente.
Diz uma lenda que Syd Barret tinha um disco de Pink Anderson no início dos anos 60, é bem provável que isso seja verdade, outra, diz que Barret curtia um disco de Blind Boy Fuller que tinha a participação de Pink Anderson e Floyd Council, e estes dois teriam influenciado Syd a ponto de ele quando pensou no nome para sua banda ter feito um trocadilho com seus pré-nomes, chamando-a, a princípio, "The Pink Floyd Sounds", mas logo depois ter simplificado para apenas "Pink Floyd".
Será que são lendas ou fatos? Syd deixou um belo legado marcado pelo blues e não está mais conosco para confirmar, então vamos considerar como verdade e agradecer a esses dois bluesmans por, mesmo sem saber, terem inspirado um gênio para formar a melhor banda de todos os tempos.
Ontem, dia 07 de outubro, recebi no e-mail uma mensagem promocional do lançamento do novo disco do Seasick. Uau!! Para tudo!! Imediatamente abri o link que direcionava para a página oficial dele e lá estava o vinil, duplo, em 180 gram. É claro que tratei logo de garantir o meu.
Feito isso, fui à procura de algum link na internet para ouvir e quem sabe baixar o disco para matar minha curiosidade, pois não consigo esperar um ou dois meses até meu album chegar para ouvir esse velhote e seus blues rocks carregados de venenos tal qual as serpentes dos campos do Tennessee de onde também veio esse barbudinho.
Como bom garimpeiro que sou, sacodi a poeira, afastei a lama e lá estava ele, um link maravilhoso com o album completinho, com boa qualidade, suficiente para saciar meus ouvidos famintos, pelo menos temporariamente.
Que pancada! Vinte músicas. Uau!!(de novo) Deixei rolar e logo senti aquele arrepio causado pela distorção das velhas e arranjadas guitarras de Steve. O cara é muito roots, na mais autêntica e contextual interpretação da palavra. Seu rock é rural, seu blues é legítimo.
Há ainda algumas versões de velhas canções de artistas pouco conhecidos por essas bandas. Uma linda roupagem ele deu a "Gentle on My Mind", de Glen Campbell; "Everybody's Talkin' at Me", de Harry Nilsson, está quase irreconhecível, embora seja uma música que estourou nos anos 70 em todas as rádios do mundo; em "Signed DC", de Arthur Lee, Seasick invocou o fantasma do autor, seu conterrâneo, e rasgou um blues abusando da sua voz potente e do solo de gaita para dar um clima ainda mais sombrio à canção.
Escrevendo essas linhas depois de em apenas menos de 24 horas já ter escutado o disco umas três vezes mesmo em arquivos digitais, fico aqui na expectativa do prazer de colocar meu vinil na minha vitrola e curtir essas músicas como elas merecem, no velho estilo preservado pelo velho Seasick.
É obvio que o fato de ser filho de uma lenda abre todas as portas até para um músico mediano, o sobrenome será sempre levado em consideração e seu trabalho pode ser muito mais valorizado em respeito às suas origens do que ao seu real valor. Essa é uma regra geral, mas não se aplica para o sujeito em tela. Apesar do sobrenome respeitadíssimo que por si só já arrebataria milhões de curiosos e poderia ofuscar a preciosidade do ser, este nunca esteve sob a proteção ou foi carregado ou alçou voos pelas asas da família, mas sim pelo seu talento nato e pelos seus diversos trabalhos, tanto com os mais variados músicos e projetos dos quais já participou, como posteriormente pela sua própria banda e mais recentemente pelos seus discos solo.
Devon Allman nasceu em 1972, filho de Gregg Allman, um dos fundadores da magnífica banda The Allman Brothers Band, referência absoluta no Southern Rock. Mas Devon, ainda muito cedo foi viver com a mãe logo após a separação do casal e só veio a conhecer o pai na adolescência, logo, embora tenha começado a tocar ainda bem jovem, não sofreu influências diretas do pai, Segundo ele, suas influências no início foram Beatles e Kiss, e quando conheceu o pai, aí sim, a ligação foi imediata e então seu estilo foi se consolidando, tendenciando ao Classic Rock e ao Blues Rock que eram a tônica da família. Passou então, naturalmente, a curtir Santana, Stones, The Doors e, lógico, a banda da família. Certa vez, quando perguntado se havia um disco que teria sido o divisor de águas, ele citou "Layla", de Derek and The Dominos, onde Eric Clapton e seu tio, Duane Allman, tocam com o coração, com energia e paixão.
Em 1999 ele formou a Devon Allman's Honeytribe, gravou apenas dois discos até 2010, quando a banda se desfez. Logo no ano seguinte deu início a um novo projeto, a Royal Southern Brotherhood. Com eles foram mais quatro discos, inclusive o último lançado em 24 de junho deste ano, ainda em processo de digestão.
Nesse meio tempo ele começou umas sessões com uma baita seleção de músicos para dar início a sua carreira solo e em 2013 soltou seu primogênito, "Turquoise". Saiu em turnê e não demorou para lançar logo outro album, "Ragged and Dirty". Mais algumas turnês para divulgar seu trabalho e algumas participações na banda de seu pai o levaram a uma grande evolução e maturidade no seu som que estão claramente refletidas nesse novo disco que já impressiona pela sua lindíssima capa, instigando-nos a descobrir o que ela oferece no seu interior.
Devon Allman - Ride or Die
Música orgânica da melhor qualidade, Rock sem firulas, bateria muito bem marcada com inúmeras variações de ritmo que enriquecem o som desrotulando-o; guitarras fortes tocadas com bastante estilo, muito swing e paixão que vêm do fundo do seu íntimo seio familiar; solos cortantes, sutis, sem extremismos; baixo notável, contagiante; e Devon, que também toca guitarra e baixo, cantando melhor do que em qualquer outro dos seus trabalhos anteriores, notadamente uma grande evolução que só uma elite de músicos carregados de feeling conseguem externar.
"Ride or Die" é um grande disco, são 48 minutos de prazer, deve figurar entre os melhores do ano no estilo, tem tudo que se espera de um album de Blues Rock. O time de músicos é de arrebentar, mostram grande harmonia e as composições são inspiradíssimas, teclados, saxofone e violinos são primorosamente inseridos e tudo se encaixa. É o tipo do album no qual logo que colocamos a agulha no primeiro sulco sentimos nos arrebatar, e segue sem redeas, a galope, faixa a faixa.
É preciso um certo esforço para destacar algumas faixas, há desde rockões clássicos como a faixa de abertura, "Say your Prayers", talvez a mais pesada do disco, carregada de Riffs e Wah Wah; "Find Ourselves" que vai fazer você dançar mesmo que esteja engessado; "Lost", uma linda canção com belíssimos violões e Devon afirmando que "true love never die", é a minha preferida; e "Pleasure and Pain", um blues rockpara fechar o album com muito estilo, todas contagiantes. Minha sugestão é que faça o que um bom disco de vinil sugere, não escolha músicas aleatoriamente, apenas deixe rolar sem interrupções que seu coração e sua alma agradecerão.
Ícone é aquele que se distingue, que é símbolo de uma época, ídolo. Jack White é um ícone de nossa época. Compositor, cantor, músico, ator, produtor e empresário. Formou sua primeira banda em 1997, um duo com sua esposa à época, Meg White, na qual ela tocava bateria, ou melhor, surpeendia todos com suas performances sobre aquele instrumento, sobretudo com sua postura descompromissada e relaxada, e ele fazia todo o resto. Não era, nem é algo comum uma banda com apenas guitarra e bateria. De logo imagina-se um som vazio, ledo engano quando temos alguém como Jack White por trás.
"Jack White Acoustic Recordings 1998-2016" é uma compilação acústica que acaba de ser lançada pela Third Man Records, gravadora independente do próprio White que traz, de forma muito interessante porque respeita a linha do tempo do artista, uma releitura de toda a carreira desse talentoso musico com cara de vampiro, exímio guitarrista e cantor singular.
"Sugar Never Tasted So Good" foi sua primeira composição, data de 1996, foi lançada em 1997 como single e está no primeiro disco da banda, "The White Stripes", de 1999. Uma mistura de garage rock, blues e punk era o que eles faziam, algo no mínimo inusitado, contagiante e inédito, uma boa dose de oxigênio - ou lisergia - na música da época.
Não por acaso, é essa mesma música que abre essa compilação na qual o autor buscou juntar gravações antológicas, inéditas, ensaios, tanto da sua antiga banda, quanto dos seus trabalhos com outros músicos, seus projetos, suas outras bandas e sua carreira solo.
A banda "The White Stripes" durou até 2010, embora em 2006 Jack também já estivesse envolvido com a banda "The Raconteurs", e a partir de 2009 com a "The Dead Weather", tudo ao mesmo tempo, prova da sua notável capacidade, conciliando ainda seu trabalho solo.
"Apple Blossom", segunda música escolhida para a coletânea está no segundo disco da banda, "De Stijl", de 2000. Foi com ela que ele se apresentou pela primeira vez na TV americana. "I'm Bound To Pack It Up" vem na sequencia, e aqui percebemos uma roupagem Zeppeliana, enriquecida por um violino tocado por um tio de Jack, um ponto alto do disco.
"Hotel Yorba" tem a alma da "The White Stripes", apenas a voz marcante de Jack, batidas no violão e bateria punk são a tônica. "We're Going To Be Friends" eleva o nível, foi um sucesso da banda e aqui está linda, com Jack cantando de forma sublime. Se você estava de olhos fechados apenas sentindo essa música, continue assim, porque a próxima vai ainda mais fundo, "You've Got Her In Your Pocket" é uma bela canção apenas com voz e violão, quando podemos confirmar que às vezes menos significa mais.
Quem assistiu o filme "Cold Mountain" vai lembrar de "Never Far Away", música que está presente na trilha sonora. "White Moon" é tocada ao piano por Jack para Meg em um momento solene lá em 2005, pouco antes da sua separação. "As Ugly As I Seem" vai às raízes do blues do Tennesse, Jack dedilha seu violão e Meg toca a bateria com as mãos, nada mais rústico que isso.
Quando vi esse disco me veio imediatamente em mente os projetos de Bob Dylan quando este faz seus "bootlegs oficiais" acústicos, e a próxima música reforça essa minha visão. "Honey, We Can't Afford To Look This Cheap" é tocada ao piano, a bateria acústica soa abafada e ouve-se no último minuto uns slides de guitarra que foram tocados por Beck.
Apenas duas músicas dessa coletânea foram tiradas dos Raconteurs, ambas do segundo disco. "Top Yourself", que aqui aparece no estilo bluegrass, com banjo e violino, e "Carolina Drama", numa versão acústica intimista, com Brendan Benson tocando slide no violão, uns backing vocals maravilhosos de Karen e Kate Elson, violinos solando à vontade e Jack mandando ver na sua guitarra.
A partir daí começa a fase da carreira solo de Jack e a primeira é "On and On and On", uma música muito bonita onde ele canta "...só Deus sabe aonde estou indo...", o que demonstra sua inquietude e incertezas. "Blunderbuss" é a faixa título do seu álbum de 2012, do qual também vieram "Hip(Eponymous) Poor Boy" e "I Guess I Should Go To Sleep".
O disco encerra com três músicas do disco Lazaretto de 2014, com destaque para "Entitlement", onde Jack invoca os músicos de Nashville, onde tudo começou, de onde vieram suas influências, alguns de seus ídolos, a sua formação musical que aliada ao seu talento natural transformaram-no em um artista que hoje é reconhecido pelos mestres e idolatrado pelos fãs.
O critério de avaliação do surf competição sempre foi subjetivo, embora essa subjetividade venha sendo diminuída tanto pela evolução e definição de regras claras como pela capacitação dos juízes. No entanto, é um tanto comum vermos julgamentos que contrariam tudo que aprendemos com o tempo.
Não quero aqui defender esse ou aquele atleta, mas já faz algum tempo que está ficando clara a parcialidade da entidade maior do esporte, aquela que deveria servir de exemplo. É triste quando fica exposta a intenção em favorecer alguns em detrimento de outros, seja por nacionalidade, patrocínio ou imagem.
Kelly Slater é o maior surfista de todos os tempos, onze vezes campeão do mundo, ninguém questionou ou impediu a sua supremacia. Contudo, os dois últimos títulos mundiais do Brasil parecem que afetaram a credibilidade e dignidade da WSL que está agindo de forma criminosa a fim de impedir um possível terceiro título de um brasileiro.
Quando o Gabriel venceu o título mundial, também venceu ao Julian naquela final em Pipe, mas não permitiram duas vitórias tão importantes num só momento para quem nunca havia vencido. Recentemente vimos no Tahiti o Gabriel sendo prejudicado contra o JJF, onde merecidamente faria a final com o Kelly, e hoje, de forma escandalosa, impediram a vitória do Gabriel contra o Tanner Gudauskas, que com ela chegaria a liderança do circuito, já que os dois que até então estão na sua frente já perderam.
Quem ama o surf, acompanha as competições e tem um mínimo de entendimento técnico ficou revoltado com a nota absurda nessa bateria que eliminou o Gabriel. O Tanner já havia conseguido um 8,67 numa onda com apenas três manobras sólidas. Gabriel precisava de um 8,34 para virar, fez a melhor onda da bateria com uma sequencia incrível de manobras com força e fluidez, esmerilhou a onda do início ao fim, mas os juizes não viram o que todo o mundo viu, eles deram 8,8/8,5/8,2/8,2/7,8, que na média resultou um 8,3, muito abaixo do real valor daquela onda e míseros 0,04 centésimos abaixo do que ele precisava.
É triste e revoltante ver isso acontecer, ver o caminho escuso que a WSL está seguindo. Cada vez mais, o que era dúvida fica claro, a entidade ou quem está por trás dela não deseja ver a troca de guarda, a supremacia brasileira tomando conta de um circuito que sempre foi dominado por australianos e americanos.
Parece que o momento é de extrema reflexão e de necessária mudança nos critérios de julgamento, pois subjetividade é uma característica saudável, mas não pode se transformar em poder tirano.
Irlanda, agosto de 1966. Rory Gallagher(guitarra), Eric Kitteringhan(baixo) e Nornan Damery(bateria) formam uma banda de blues e começam a tocar pelos bares e clubes da região. Em 1968 Rory dispensa seus amigos e chama Richard MacCracken(baixo) e John Wilson(bateria), mudam-se para Londres e assinam um contrato com a Polydor sob o nome "Taste". A gravadora então coloca-os para abrirem os shows do "Cream" a fim de promovê-los. Depois mandou-os para os Estados Unidos e Canada acompanhando o "Blind Faith". Foi uma grande oportunidade pois essas duas bandas eram super respeitadas, tinham Eric Clapton e Stevie Winwood como estrelas mundiais.
No início de 1969 eles lançaram o primeiro disco, "Taste", e um ano depois o segundo, "On The Boards", ambos com influências de Jazz, inclusive com Rory tocando Saxofone em diversas músicas. Era o ano do grande festival da Ilha de Wight, onde tocaram The Doors, The Who, Jimi Hendrix, entre muitas outras bandas de sucesso e eles se apresentaram num grande show com Rory simplesmente destruindo, mostrando todo seu virtuosismo, e seus parceiros também não fazem por menos. Esse registro foi gravado e lançado em dezembro de 1971, quando a banda já havia terminado, com Rory partindo para carreira solo.
Rory era um vulcão em erupção, estava compondo exaustivamente e logo formou outra banda com Gerry McAvoy(baixo) e Wilgar Campbell(bateria) e ainda em 1971 lançou dois discos, o primeiro, chamado "Rory Gallagher", com participação de Vincent Crane no piano, e "Deuce", no final do ano. Dois discos excelentes que mostravam uma grande banda, não apenas um maravilhoso guitarrista.
No primeiro álbum, "Just the Smile" é de uma sutileza sublime, "Wave Myself Goodbye" é um blues de raízes profundas. Em "For the Last Time" Rory dedilha e sola como um mestre, sua guitarra transborda sentimento, além de cantar muito, o que também o faz em "I'm Not Surprise", acompanhado por um lindo piano. "Can't Believe It's True" traz toques de Jazz, Rory toca Saxofone, é um som com um ritmo muito gostoso.
"Deuce" abre com "I'm Not Awake Yet", uma linda música. Em "Don't Know Where I'm Going" eles fazem uma incursão pelo Country. "Should've Learnt My Lesson" é outro daqueles blues autênticos. O disco finaliza com duas porradas, "Crest of a Wave" e "Persuasion", nas quais a banda mostra toda sua força e entrosamento.
Partiram então para uma grande turnê pela europa e essas apresentações conquistaram milhares de fans, alguns hoje ilustres, como The Edge e Adam Clayton, que afirmam que foi depois de assistirem um desses shows que decidiram formar uma banda(U2). A gravadora selecionou algumas músicas e aproveitou para soltar logo um disco ao vivo, chamado "Live Europe". Esse disco é, ainda hoje, considerado um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos.
Mais uma mudança na banda, entram Rod de'Ath na bateria e Lou Martin no piano para gravarem "Blueprint", lançado no início de 1973. Apesar da mudança, nada veio a prejudicar a banda, na verdade, quase não se percebe diferença entre esses discos, apenas o piano está mais presente, algo que só veio a enriquecer o som. O álbum fecha com "If I Had a Reason", uma linda balada, uma das músicas mais bonitas de toda carreira de Rory.
Ainda em 1973, no mês de agosto, lançam outro discaço, "Tattoo". "Tattoo'd Lady" começa rasgando o verbo, Rory cantando muito e esbanjando estilo, sempre muito bem acompanhado pelos seus escudeiros. "20/20 Vision" é uma música acústica com uma pegada bem jazzistica. "Sleep on a Clothes Line" tem as características marcantes de Rory, um autêntico blues rock. "A Million Miles Away" é outra daquelas de fazer chorar, uma belíssima balada onde Rory toca como que expondo sua alma, canta com o coração. Da turnê de divulgação desse disco saem as gravações para o próximo álbum ao vivo a ser lançado no ano seguinte, chamado "Irish Tour 74", outro petardo ao vivo que na época saiu como LP simples e em 2014, comemorando 40 anos, foi relançado numa edição de luxo com três Lps e livreto. As músicas foram tiradas das apresentações em 28-29/dez/73 em Belfast, 2/jan/74 em Dublin e 3-5/jan/74 em Cork.
"Against the Grain" nasceu em outubro de 1975, levou mais tempo que o normal para ser concebido, talvez pela mudança de gravadora, o que muitas vezes modifica o som da banda, mas isso não aconteceu. O disco é outro álbum de blues com algumas músicas flertando com o hard rock em "Let Me In", com o boogie em "Brought and Sold", mas basicamente permanece com a mesma sonoridade dos anteriores. Mais uma vez Rory nos faz sofrer com "Ain't Too Good", mas é aquele sofrimento bom, produzido pela sua velha e cortante Fender Stratocaster.
Exatamente um ano depois veio "Calling Card", oitavo disco da carreira solo de Rory e primeiro no qual ele entregou a produção a outra pessoa. O escolhido foi o baixista Roger Glover, do Deep Purple, uma das maiores bandas dos anos '70. Essa opção demonstrava que Rory estava mesmo flertando com o hard rock. As semelhanças na sonoridade desse disco com os discos do Deep Purple são enormes, "Do You Read Me", "Moonchild" e "Secret Agent" são temas que lembram demais a banda de Roger Glover. Em "Jacknife Beat" o blues volta com peso. "I'll Admit You're Gone" e "Edged in Blue" são músicas mais leves onde Rory desfila seus solos sentimentais com magnificência.
Algo estava realmente mudando na carreira de Rory. Depois de "Calling Card" ele novamente fez mudanças na banda, dessa vez trocou o homem das baquetas. Entrou Ted McKenna. Passou dois anos para lançar o próximo álbum, "Photo-Finish", que veio carregado de riffs, sem teclados, pesado como o anterior. Gosto dessa fase, mas é preciso apreciá-la sob essa nova perspectiva, de uma banda com fortes raízes no blues que respirava as mudanças no tempo e adaptava-se a ele. "Shadow Play" é um exemplo, muito boa, apenas uma amostra dessa energia. "Cruise on Out" é outra pedrada inspirada em Elvis.
Hoje, dia 30 de agosto, dia do meu aniversário, comemoro ouvindo esses discos, parte da discografia de um dos meus músicos preferidos. Além desses, Rory ainda lançou cinco discos até falecer em 1995 depois de uma cirurgia para transplante de fígado.
Como presente para mim mesmo, comprei há poucos dias o relançamento em vinil duplo do álbum ao vivo do Taste, um disco fantástico que esperei muito tempo para conseguir. É um prazer imenso ouvir tudo que esse cara fez, desde suas lindas baladas aos seus potentes e cortantes solos de guitarra nas suas músicas mais pesadas. Adoro Rory cada vez mais. Um cara simples que veio da pequena cidade de Cork, na Irlanda.
Tenho mais um disco dele já comprado, o "Jinx", apenas esperando chegar, e vou continuar buscando os demais até conseguir toda sua discografia. Sinto por aqueles que não o conhecem e deixam de apreciar um músico tão excepcional, um guitarrista que figura tranquilamente entre os maiores de todos os tempos.
"Obscured by Clouds" é um disco que se confunde com aquele filho que não foi programado, foi gerado em um período em que os pais estavam extremamente férteis, quando a harmonia entre eles - nesse caso, os membros do grupo - era plena, quando as idéias e os pensamentos fluem por telepatia, quando o que se pretende é absorvido pelo parceiro com um simples olhar.
Era início de 1972, a banda estava em plena ascensão e focada trabalhando naquele que viria a ser seu maior trabalho, seu disco mais importante e reconhecido internacionalmente como um marco na história do rock, aquele álbum perfeito, "The Dark Side of The Moon", quando foram convidados a gravar a trilha sonora para o filme francês "La Vallée". Como citei, a banda já estava em estúdio, já tinha várias idéias em andamento, então foi algo até fácil para eles, que entre os dias 23 e 29 de fevereiro daquele ano foram para um estúdio na frança e finalizaram o trabalho. O que talvez nem eles mesmos esperassem era que o resultado ficasse tão bom que logo mais em junho transformou-se no sétimo álbum do Pink Floyd.
Se pensado como uma trilha sonora para um filme, poderia se imaginar uma música ambiente, apenas com algumas nuances, mas não é. Se escutá-lo como um disco qualquer, nunca imaginará qual fora a ideia original. Não assisti o filme, não posso dizer como ela - a música - foi colocada no contexto, porém o disco já escutei milhares de vezes e posso afirmar que existe sim um clima, que a música está ambientada para uma viagem no tempo e no espaço, mas em outro tempo, em outro espaço, aquele que você imaginar para se transportar e viver os mais belos sonhos, ou experimentar os mais profundos sentimentos.
Assim eu vejo e escuto "Obscured by Clouds", não como a grande maioria do fans do Pink Floyd que o subjugam, que não o enxergam com bons olhos. Acredito que talvez por nunca terem dado a devida atenção a ele, ou talvez simplesmente pelo fato dele ser tão próximo do absoluto "The Dark Side of the Moon", que brilha por si só e ofusca aqueles que estão mais próximos, e por isso ser ignorado como o irmão que é tão bonito, mas nem todos o veem por ser menor, por causa do mais novo que é simplesmente perfeito, magistral, e apresenta-se de forma impecável, é famoso no mundo inteiro, mas muito do que está nele, veio do seu antecessor que é também primoroso, sublime e genial.
A década de 70 foi a mais prolífica para o Rock, e talvez mais ainda a primeira metade. Posso tranquilamente citar cem albuns indispensáveis desse período, mas a segunda metade também é um poço de riquezas. Logo no ano de 1976 foram lançados alguns discos que ficaram para a história e que neste ano de 2016 estão completando 40 anos, mas não envelheceram, amadureceram, e reproduzem nos seus sulcos "sabores" tão apurados que superam muitos dos lançamentos atuais e nos fazem sentir aquela vontade de degustá-los pela enésima vez, e ainda assim permanecerão por mais muitos e muitos anos.
A revista "Classic Rock" publicou um artigo bem legal na edição deste mês com 40 desses discos que estão comemorando 40 anos. Dentre os escolhidos pela revista, alguns fazem parte da minha seleção, no entanto, outros tantos não considero tão significativos assim, e meio que entrando na brincadeira, fiz a minha própria seleção de comemoração de 40 anos com 25 albuns realmente marcantes, são eles:
1. AC/DC - Dirty Deeds Done Dirt Cheap
2. Back Street Crawler - 2sn. St.
3. Bob Dylan - Desire
4. Bob Marley - Rastaman Vibration
5. Black Sabbath - Technical Ecstasy
6. Bullfrog - Bullfrog
7. Eric Clapton - No Reason to Cry
8. Jethro Tull - Too Old to Rock 'n Roll: Too Young to Die
9. Judas Priest - Sad Wings of Destiny
10. Casa das Máquinas - Lar de Maravilhas
11. Led Zeppelin - Presence
12. Lynyrd Skynyrd - Guimme Back My Bullets
13. Deep Purple - Made in Europe
14. Rory Gallagher - Calling Card
15. Roy Buchanan - A Street Called Straight
16. Ramones - Ramones
17. Ry Cooder - Chicken Skin Music
18. Rush - 2112
19. Rainbow - Rising
20. Stretch - You Can't Beat Your Brain For Entertainment
21. Scorpions - Virgin Killer
22. The Stills Young Band - Long May You Run
23. The Rolling Stones - Black and Blue
24. Thin Lizzy - Jailbreak
25. UFO - No Heavy Petting
Tenho muito orgulho e admiração por esse garoto. Sua coragem e atitude são impressionantes. Aliado a isso, seu comportamento, seu carisma e sua humildade fazem dele uma pessoa adorável.
Seu estilo em cima de um skate é polido, perfeito, e quando faz o que mais gosta, que é voar, é tão impressionante quanto assombroso.
Que os anjos continuem ao teu lado, te protegendo e te proporcionando grandes voos, cada vez mais altos.
"Confortavelmente Entorpecido" é o novíssimo e belíssimo novo short movie da Rip Curl com Mick Fanning e Mason Ho. Imagens alucinantes, altas performances e trilha sonora eletrizante tornam este filme impressionante e imperdível.
"Esse conjunto de peroladas gemas que você traz na boca, ao se mostrar no impulso da sua alegria, é capaz de mover incríveis obstáculos, de transformar ocorrências ou de iluminar vidas..."
Há poucos dias comecei a ler este livro e acho que foi um dos que concluí mais rápido. Posso garantir também que foi um dos melhores. Acendeu algumas luzes que estavam apagadas, mostrou-me caminhos que estavam escondidos, além de proporcionar-me descobertas fascinantes.
Tenho entre os meus livros favoritos "A Arte da Felicidade", e também já li "Palavras de Sabedoria", ambos de Sua Santidade, o Dalai-Lama, um ser extraordinário, grande lider religioso, mas sobretudo um ser humano iluminado.
Neste livro, onde o autor se coloca no lugar de uma gata, encontrei, como já era esperado, muitos ensinamentos, tanto vindos de conversas do Dalai-Lama com os mais variados personagens, de Chefes de Estado a Rainhas, como de monges que convivem com ele no seu templo, como das experiências "catódicas" de uma gata de linhagem superior encontrada numa rua e salva, não por acaso, mas para que este livro chegasse às nossas mãos.
Como sempre, o que talvez seja uma das possibilidades pelas quais mais admiro Sua Santidade é a maneira como ele se coloca frente às mais diversas posições religiosas, assim como ele sempre tem algum conselho prático para qualquer aflição ou problema aos quais estamos sujeitos.
Sou católico por batismo. Frequentei a igreja quando criança mais por exigência da minha mãe do que por convicção, até quando comecei a pensar a religião e a discordar de muito do que se fez e muito do que se propaga, seja no catolicismo ou em outras crenças. Acredito no Ser superior, aquele organizador do universo, que está em tudo que é bom, do bem. Essa é a minha religião, fazer o bem. Se fosse para rotulá-la, seria "Bondade".
O Dalai-Lama é budista, mas não prega o budismo pura e simplesmente como crença, prega a compaixão. Ele nos mostra como alcançar a felicidade fazendo o bem. Esse é o propósito. Todo ser tem duas necessidades básicas, além das físicas, claro, ser feliz e não sofrer. São opostas, uma é fuga e a outra é busca. E o que buscamos a todo tempo é a tal felicidade, só que não percebemos que ela está em nós, e não nas coisas. Pessoas felizes são pessoas boas, aquelas mais felizes são as que mais fazem os outros felizes. É uma energia recíproca.
A maioria dos ensinamentos extraídos deste livro versam sobre a felicidade, destaquei vários e poderia citá-los aqui, mas seria como antecipar o melhor para quem se propuser a lê-lo, não seria legal fazer isso. Contudo, algumas palavras não vão estragar a leitura e darão uma boa ideia do que se encontra nessa obra, tentando com elas resumi o porquê da minha admiração:
"Às vezes nossa luz se apaga e é reacendida pela faísca de outra pessoa. Cada um de nós tem motivo para agradecer profundamente a quem acende essa chama dentro de nós."
São aproximadamente 35 anos ouvindo, comentando e descobrindo histórias dessas duas bandas fantásticas. Ambas estão entre as minhas preferidas e são pontas de lança quando se trata de Hard Rock e Heavy Metal. Devo ter conhecido primeiro o AC/DC, até mesmo porque é mais antigo, mas o Metallica explodiu como uma bomba atômica deixando sequelas irreversíveis.
Seus discos tem posição de destaque na minha coleção, várias músicas estão nas minhas playlists, e nada melhor que "mergulhar" nas biografias dos seus integrantes para chegar às profundezas, aos fatos desconhecidos pela maioria e entender como tudo começou, por onde passou e como chegou até onde está.
Costumo ler biografias, tenho várias, de Billie Holiday a Bob Dylan, de Led Zeppelin a Black Sabbath, qualquer livro de Rock me interessa. Hoje recebi esses três, a história dos irmãos Young que criaram o AC/DC; "o lobo à frente do Metallica", James Hetfield, que tanto me hipnotizou com suas distorções que mais parecem lâminas de aço cortantes e com seus vocais guturais; e o hippie fâ do Sabbath e do ZZ Top, gênio prematuro que passou muito rápido pela banda, mas deixou seu legado e saudades em todos que o acompanharam até a tragédia que pôs fim à sua vida.
Há dias nos quais quando nos dispomos a ouvir um som ficamos meio que "perdidos" entre as centenas de cds e lps da nossa coleção, isso acontece com todo maluco por música e colecionador de discos. Porém, há outros que como por "obra" do além "piscam" para nós logo que olhamos para as prateleiras a fim de escolher aquele que começará tocando o dia.
Hoje foi assim, acordei cedo e assim que pensei em escolher um cd para tocar, o "Moving Pictures" saltou aos meus olhos. Peguei a caixinha na mão como quem pega um bichinho de estimação e fiquei a analisá-la antes mesmo de por o cd no player. Li um pouco do livreto que a acompanha e peguei-me lembrando de como e quando escutei a banda pela primeira vez.
É interessante como alguns fatos da nossa infância/adolescência permanecem vivos na nossa memória. Eu tinha acabado de mudar de colégio, estava começando o 2º ano de ensino médio, era 1984. Nessa época eu já curtia muito som, mas por incrível que pareça, não conhecia o Rush. Logo nos primeiros dias de aula, ainda desambientado com a turma, um colega conhecido por Jó aproximou-se e trocando idéias descobrimos que partilhávamos a paixão pelo Rock 'n Roll. Foi quando ele ofereceu-se a gravar uma K7 pra mim com uns sons que ele curtia. Foi nessa fita que estava "Finding My Way", música do primeiro album do Rush, de 1974. Lembro-me que tinha também Rainbow, Sabbath, Dio, Iron Maiden, mas esses eu já curtia, não eram novidade, mas aquela música acertou-me em cheio. Tinha a fúria de uma banda de Metal, mas tinha algo diferente, lembrava o Zeppelin, todos os instrumentos se sobressaiam, e o vocal era muito instigador. Precisava descobrir mais sobre a banda.
Foi a partir daí que comecei a comprar todos os lps que encontrava. Busquei logo pelo primeiro, o "Rush", com o qual fiquei maravilhado. Esse disco me cativou de tal forma que nunca mais desde então fiquei longe dele, seja com o Lp, o Cd, uma K7 ou outra gravação qualquer. Em todas as seleções que eu fazia tinha pelo menos alguma música daquele disco. Logo depois vieram os outros, "Fly By Night", "Caress of Steel" e "2112". Aqui preciso tecer um pequeno comentário. Esse último disco citado foi outro que me conquistou e ainda hoje, assim como o primeiro, estão entre os meus discos preferidos e mais escutados.
Voltando ao "disco de hoje", este marca uma fase bem distante daqueles anteriores, tanto temporal quanto musical. Costumamos brincar afirmando se tratar de uma outra banda. Claro que isso é uma hipérbole, pois no Rush nunca houve substituições, o que sempre houve foi experimentos e desprendimentos, liberdade total para músicos excepcionais, os quais necessitam exteriorizar suas capacidades.
Lançado poucos antes da minha "iniciação" à banda, em 1981, depois de três albuns bons, mas inferiores aos destacados, época na qual o Heavy Metal estourava na Europa e se expandia para a América, Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart pareciam ignorar o movimento e chegavam já consagrados com um disco atemporal, perfeito numa classificação simplista.
Numa das primeiras entrevistas no radio para divulgação do disco que já estourava no Top 10 do Canadá, um DJ após ressaltar os sucessos dos trabalhos anteriores, direciona a palavra ao Geddy Lee e fala:
"Let's go out with a hit...", ao que Geddy meio que surpreso questiona: "A hit?", e logo responde honestamente: "We don't have any hits". Estava assim de forma sutil esclarecida a proposta desse novo album. Talvez não fosse para ser tocado nas radios, talvez não fosse para fazer sucesso, não era comercial, no entanto, contrariando os incrédulos, ao longo do tempo este disco se firmou a tal ponto que é considerado por muitos como o melhor trabalho do grupo até os dias de hoje.
O trio estava afinadíssimo, as composições atingiram o equilíbrio entre todos os estilos pelos quais a banda flertava, naquele momento o Rush era um gigante com capacidade para conquistar o mundo com sua música. Tinham segurança suficiente para se impor em composições complexas, preenchidas pela técnica e virtuose dos seus membros sem perderem a energia e o feeling com que chegaram até ali.
Geddy Lee nunca foi um grande vocalista, mas era(é) um exímio baixista e já mostrava domínio e excentricidade nos teclados. Alex Lifeson sempre impressionou como guitarrista, seguro nas passagens de ritmo e incrível nos solos, muitas vezes extensos e altamente técnicos, e o que dizer do Neil Peart? O cara é uma unanimidade como um dos melhores baterista do mundo. O que esses três caras alcançaram com este disco é algo quase inatingível para 99% das bandas, a perfeição.
Do longinquo ano de 1974, quando se lançaram na fria cidade de Toronto como uma banda de Hard Rock, aos dias atuais, mesmo depois de passarem por duas crises que forçaram a banda a interromper as atividades, o Rush ainda é reconhecido e amado por milhões ao redor desta terra. De toda sua extensa discografia, tenho apenas alguns títulos, gosto de todos, amo alguns, e esses me reconhecem logo quando me aproximo, demonstrando sua reciprocidade quando piscam pra mim.
Em um belo fim de semana de junho de 1967, no auge do "Verão do Amor", o primeiro e único Monterey Pop Festival International capturou o espírito de uma década dando início a uma nova era do Rock 'n Roll. O clima era de paz e harmonia, famílias inteiras estavam ali para ouvir as grandes bandas da época.
Jimi Hendrix, Janis Joplin e Otis Redding estavam se lançando a um grande público, mas eles eram apenas mais uns entre um elenco bastante diversificado, como Simon and Garfunkel, The Mamas and The Papas, The Who, The Byrds, The Paul Butterfield Blues Band, Ravi Shankar, entre outros.
David Bowie dispensa apresentações, foi um dos artistas mais relevantes para a música pop internacional. Como "camaleão", cognome que lhe foi atribuído pelas suas mutações artísticas e visuais, assumiu as mais variadas tendências desde o início da sua longa carreira. Sua extensa discografia é volúvel, atingiu picos de excelência, mas percorreu longos períodos inférteis. Alguns dos seus discos beiram o ridículo.
Particularmente, nunca fui um grande admirador da sua obra, no entanto, quando se tem nas mãos espécies criadas durante os picos a que me referi, não podemos simplesmente ignorá-las, pois são importantes e singulares. Dos aproximadamente 40 albuns que Bowie lançou, apenas três causam-me prazer, além de algumas outras poucas músicas espalhadas pelo restante dos discos.
Poderia até citá-los como uma trilogia, mesmo que não haja qualquer semelhança entre eles além do fato de terem sido lançados em sequencia entre 1969 e 1972, não à toa, um dos períodos mais férteis da música em geral.
"The Man Who Sold The World", "Honky Dory" e "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars" são, nessa ordem, os discos obrigatórios na discografia de Bowie. Não faz muito tempo que comprei o primeiro deles em vinil. O segundo nunca tive, embora talvez o considere o melhor dos três, e o último comprei em cd quando do seu lançamento comemorativo de 40 anos em 2012.
Por acaso, quando estive há alguns meses no restaurante de um amigo, o Tadeu do Almeida's, bisbilhotando seus discos, vi um exemplar do "Ziggy Stardust" em ótimas condições. Uma edição nacional relançada nos anos '80 com capa dupla e muito bem conservada. É claro que tentei convencê-lo a me vender o disco, mas não consegui persuadí-lo.
Para minha total surpresa, essa semana recebi uma mensagem no celular do meu amigo perguntando se ainda tinha interesse no album. É claro que mesmo sem entender a razão da sua repentina mudança de posição, disse que sim um tanto desconfiado e questionei-o o que queria por ele. Maior foi minha surpresa quando a resposta foi "o que você quiser me dar". Como assim? Qualquer coisa? Não sou injusto, nem oportunista, e listei uma série de discos à altura do dele para trocarmos. De logo ele escolheu um do Eric Clapton que eu tinha em duplicidade e não me faria falta, o clássico "Backless".
Marcamos então para ontem, dia 20 de julho, "Dia do Amigo", para fazermos a troca. Não sei se foi o efeito da data, que para mim nada significa, assim como não todas essas outras descabidas. O mais importante foi que tivemos uma noite bastante agradável ouvindo os nossos discos na companhia de velhos e novos amigos, relembrando momentos da juventude e comemorando nossas aquisições.
Antes de sair de lá, como de praxe, dei uma vasculhada nos seus discos e descobri que ele também possui o "Honky Dory", sem nunca sequer tê-lo escutado, o que logo percebi pelo mofo que estava nos sulcos do disco, o que foi confirmado por ele. Não podia deixar de tentar mais uma vez fazer-lhe uma proposta que assim como a primeira foi ignorada, só que dessa vez eu sei que aquele coração não é tão impenetrável assim, talvez baste apenas uma outra data comemorativa, alguns discos que nos façam relembrar momentos marcantes e alguns amigos agradáveis que nos arranquem largos sorrisos para fazê-lo mudar de ideia. Agora tenho pelo menos um motivo para comemorar o 20 de julho.